Idéias que viram dinheiro
Para inovar, não é preciso aplicar uma montanha de dinheiro em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Uma pesquisa feita pela consultoria Booz Allen com 1 000 companhias abertas de todo o mundo mostra que os resultados de vendas e de lucros das que mais investem em pesquisa e desenvolvimento não são significativamente maiores que a média.
Por vezes, é o oposto. Considerada um modelo de criatividade e resultado no setor automobilístico, a japonesa Toyota está em terceiro lugar na lista das montadoras que mais investem em pesquisa e desenvolvimento. Seu valor de mercado, porém, supera a soma dos três maiores fabricantes mundiais.
O gênio da inovação destes novos tempos possui talentos de um Jacques Cousteau. É um explorador capaz de correr o mundo em busca do que há de melhor nas empresas. Depois, junta tudo o que viu e decide o que pode render mais para o próprio negócio. Também possui habilidades de antropólogo.
Observa e entende como os clientes reagem aos produtos e serviços disponíveis no mercado. É dotado ainda de uma capacidade premonitória. Antes dos concorrentes e até dos próprios clientes, consegue criar produtos que se tornam imprescindíveis. O gênio da inovação não responde a demandas de mercado. Ele as cria. Mesmo que, para isso, tenha de aprender e aprender com uma sucessão de fracassos.
Esse ser genial na verdade não existe. Como personagem individual, é uma ficção. O que, de fato há, são grupos de pessoas com diferentes talentos, temperamentos e formações que, reunidas numa empresa, conseguem ver antes que os demais e transformam essas visões em novos e bem-sucedidos produtos. "Pessoas são tudo na inovação. E não estamos falando apenas de luminares como Thomas Edison ou celebridades como Steve Jobs, da Apple", diz Tom Kelley, presidente da Ideo, uma das mais celebradas empresas de design do mundo.
6 características de toda empresa inovadora
O quadro mostra os pontos em comum de negócios que conseguem inovar sistematicamente.
O quadro mostra os pontos em comum de negócios que conseguem inovar sistematicamente.
1 - Têm uma cultura que apóia a criatividade. A inovação é encarada como estratégica. Todos estão comprometidos e contam com o apoio da alta direção para ousar
2 - Entendem o mercado e o consumidor. Valem-se de pesquisas convencionais e não convencionais para extrair conhecimento sobre as motivações dos consumidores, o que lhes permite antecipar-se à concorrência
3 - Mobilizam as equipes. Usando farta comunicação, conseguem mobilizar funcionários de diferentes áreas para gerar idéias que se transformam em novos e lucrativos negócios
4 - Cultivam um clima de liberdade. Os funcionários podem expressar livremente suas opiniões a respeito de novos projetos. Em vez de punições, os erros geram aprendizado
5 - Avaliam resultados. Estabelecem métricas claras tanto para avaliar o retorno financeiro das inovações como para recompensar os membros das equipes responsáveis por projetos bem-sucedidos
6 - Derrubam muros. Algumas das empresas mais inovadoras estenderam seus processos de desenvolvimento de novos produtos também aos fornecedores
Inovar tornou-se vital para empresas de qualquer porte e setor. De acordo com 90% de mais de 900 altos executivos entrevistados pela consultoria internacional de estratégia BCG, o crescimento orgânico dos negócios só é possível hoje com transformação de novas idéias em boas mercadorias.
Companhias que não inovam selam uma sentença de morte. Mais cedo ou mais tarde, ela virá, e virá, muito provavelmente, provocada pela evolução e pelas inovações feitas por uma concorrência cada vez mais pulverizada e diversificada. Outro fator diz respeito ao ritmo mai s acelerado de lançamentos. Ainda ontem um modelo de automóvel demorava quatro anos para vir à luz. Hoje, leva metade desse tempo. Devido a essas constatações, duas questões se tornaram primordiais atualmente no mundo dos negócios.
Questão número 1: como transformar uma empresa, com todos os seus mecanismos de planejamento e controle, num ambiente realmente inovador?
Questão número 1: como transformar uma empresa, com todos os seus mecanismos de planejamento e controle, num ambiente realmente inovador?
Questão número 2: como garantir que as inovações geradas façam sucesso no mercado e tragam resultados financeiros?
O mesmo levantamento da BCG indica que a maioria das empresas está insatisfeita com o retorno econômico de suas inovações. "Nenhum executivo questiona o valor da inovação", afirma Victor Fernandes, diretor da consultoria Monitor. "O que a maioria das empresas não tem é uma estratégia clara de como usar a inovação como motor de crescimento."
Fonte: SEBRAE-PR

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